quarta-feira, 29 de abril de 2009

Níveis de concepções da escrita- Emília Ferreiro.

Para ilustrar;
As palavras do teste das 4 palavras e uma frase foram:

1. APAGADOR
2. CADEIRA
3. MESA
5. GIZ

A mesa é branca.


1. Nível Pré Silábico- Não há correspondência som/ grafia)






1.1 Grafismo primitivo:



Já diferencia oque é desenho e o que é escrita.
Os grafismos são primitivos, com repetição de mesmo sinal gráfico (escritas unigráficas). São pseudo- letras, sinais gráficos arbitrários, ideossincráticos, ondulados ou quebrados, em zigue- zague, contínuos ou fragmentados, traços verticais ou circulares.



Muitas vezes a escrita é colocada ao lado ou dentro do desenho, como para garantir- lhe o significado. "Escrita sem figura não dá para ler"



Como o desenho, a escrita representa o nome do objeto, mas não se descobriu ainda que a escrita tem relação com o som da fala.



Na escrita estão apenas os nomes dos objetos, das pessoas. ("hipóteses do nome").



A partir dos nomes nomes escritos podem "ler" tudo o mais que desejamos como no desenho.



Exemplo:No desenho de um homem e uma bola, podemos interpretar. " O homem está jogando bola" ou então o "Papai joga futebol".



Os sinais gráficos ás vezes se unem (como no modelo da letra cursiva). Outras vezes surgem separados (como modelo de letra de imprensa).



*Não há um critério de quantidade do número de sinais gráficos que uma palavra deve ter. Uma palavra pode preencher uma linha toda!*



" Está escrito o que eu desejei escrever". A escrita não é interpretável por outras pessoas.



A escrita é ainda instável, uma mesma palavra é escrita de modos diferentes em diversas ocasiões.



1.2 Escritas Fixas:



Surgem as escritas fixas. Uma mesma série de grafias vão compor uma palavra. Uma mesma escrita serve para diferentes palavras. Cada pessoa adota um tipo de escrita fixa.



Uma só letra, geralmente a letra inicial de nomes significativos, como o nome próprio, pode significar o nome todo (A de Ana). Como abaixo:



Podem ou não, ir surgindo os sinais gráficos convencionais, poderão ainda ser usados números ou letras para escrever palavras.



Inicialmente, a quantidade como repertório de grafias é constante para cada pessoa.






1.3 Diferenciação dos sinais gráficos dentro da mesma palavra- Diferenciação intra- figural.



* Hipóteses das quantidades mínimas: Uma palavra deve um mínimo de grafias para ser lida. esse número varia de pessoa para pessoa, pode variar de dois a quatro grafias, geralmente três, Emília Ferreiro denomina esse avanço também de "diferenciação quantitativa intra relacional"



* Hipótese de variedades de grafias. Se o escrito tem o tempo todo a mesma letra, não pode ser lido. As letras (ou sílabas) não deve, se repetir na mesma palavra e nem parecer logo em seguida.






1.4- Diferenciação da escrita de uma palavra a outra de significado diferente- Diferenciação Inter- Figural".



Uma hipótese é construída: Para ler coisas deve haver diferença na escrita.



É preciso colocar mais letras para objetos grandes. O nome das pessoas é proporcional ao tamanho ou idade delas, e não ao comprimentodo nome correspondente. Na escrita estão as características do objeto. Piaget chama de RELISMO NOMINAL, essa característica do pensamento. A pessoa escreve as duas palavras variando a quantidade de grafias necessárias para escrever uma palavra. A quantidade ainda não está sistematizada. DIFERENCIAÇÃO QUANTITATIVA INTER- RELACIONAL NÃO SISTEMATIZADA- é a denominação dada por Emília Ferreiro a esta característica de construção sobre a escrita.



Neste nível a variação se amplia, podem variar: repertório de grafia, quantidade, tipo (cursiva, bastão, imprensa), na posição que ocupam, combinação entre grafias arbitrárias e convencionais, entre letras e números. Emília ferreiro denomina estacaracterística de DIFERENCIAÇÃO QUALITATIVA INTER RELACIONAL NÃO SISTEMÁTICA.



**O repertório de grafias conhecidas é geralmente limitado no nível pré silabico. São então utilizadas principalmente, as letras das palavras significativas já aprendidas e memorizadas globalmente (como o nome próprio e outras).






Quando o meio não provê o alfabetizando com a informação de palavras significativas escritas, deixa de existir uma das ocasiões de avanço na escrita!






1.5 Nível Intermediário - Do pré silábico para o Silábico






A letra incial dos nomes significativos aprendidos vai sendo conhecida pelo sujeito. A aprendizagem do nome das letras iniciais de palavras significativas se torna importante por que o sujeito vai conhecendo o valor sonoro convencional das letras. É a primeira vez descoberta da relação fono- grafia. O conhecimento do nome das letras regularmente precede o conhecimento do valor fonético - silábico. Essa aprendizagem do nome de algumas letras significativas, antes da compreensão do valor sonoro convencional não parece ser causa de confusão para os alfabetizados, como tradicionalmente se pensa.


No exemplo abaixo circulei a primeira grafia que ele começa a associar com o som!








Ps: só do nível pré silábico amanhã colocarei do nível Silábico.









São três vídeos do nova escola vou colocar
PRIMEIRA PARTE:


SEGUNDA PARTE:


TERCEIRA PARTE


QUARTA PARTE:

9 comentários:

  1. Segundo os estudos de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, a nomenclatura correta é nível 1 e 2, em nenhum momento do livro "psicogênese da Língua escrita" ela utiliza-se do termo "pré-silábico", favor verificar a fonte do seu material, pois está incorreto.

    ResponderExcluir
  2. adorei o modo claro como você apresentou o tema, estou no 4 periodo de pedagogia e seu blog foi muito legal para elucidar algumas duvidas.

    ResponderExcluir
  3. Hoje é aceito também a nomeclatura "pré-silábico"

    ResponderExcluir
  4. gostei muitoda forma como foi colocado o assunto ,estou concluindo o curso de pedagogia e preparando um artigo sobre leitura e escrita e certamente me ajudará bastante.Valeu...

    ResponderExcluir
  5. FRANCISCO, ULIANÓPOLIS-PA
    Prezada colega, sou coordenador de EJA, e estou pesquisando bastante para encontrar material para a formação continuada, que é sobre os níveis de aprendizagem.
    Parabéns pelo seu blog.

    ResponderExcluir
  6. sou aluna do curço de pedagogia e estou adorando saber mais sobre a ferreiro

    ResponderExcluir
  7. JAGSON DE SOUSA VASCONCELOS27 de maio de 2012 23:26

    Realmente esses videos são baseados em fatos reais e que encontramos em sala de aula !
    e ja sabendo dos niveiS, mais facil para se trabalhar cada tarefa de acordo com as dificuldades de cada aluno e em cada nivel que eles se encontram.!

    ResponderExcluir
  8. A linguagem direta e incisiva apresnetado no texto clarifica as duvidas de quem não tem contato direto com o processo de alfabetização e letramento.

    Solange Ramalho

    ResponderExcluir
  9. Estou cursando Pedagogia e hoje e usado o termo pré-silábico, intermediário I, silábico, intermediário II ou silábico-alfabetico e alfabético.
    Na verdade devemos nos atualizar, nao é pq nao aparece o termo que nao exista.
    Esse tipo de pergunta sobre Emília Ferreiro e cada nível caiu na minha última avaliacao...

    ResponderExcluir